sexta-feira, 25 de março de 2011

NOTURNO




Nossos olhos nos pertencem —
não o dia.
Amor não nos pertence
nem a morte.
Apenas pousam na pérola mais fina.
Desce o luar
No flanco de rios precipitados
folhas se alongam
caules estremecem.

A noite já desfere
seu punhal de trevas.


Dora Ferreira da Silva
Poesia Reunida (1999)

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