Vigilância
A estrela que nasceu trouxe um presságio triste: inclinou-se o meu rosto e chorou minha fronte: que é dos barcos do meu horizonte? Se eu dormir, aonde irão esses errantes barcos, dentro dos quais o destino carrega almas de angústia demorada e cega? E como adormecer nesta Ilha em sobressalto, se o perigo do mar no meu sangue se agita, e eu sou, por quem navega, a eternamente aflita? E que deus me dará força tão poderosa para assim resistir todas a vida desperta e com os deuses conter a tempestade certa? A estrela que nasceu tinha tanta beleza que voluntariamente a elegeu minha sorte. Mas a beleza é o outro perfil do sofrimento, e só merece a vida o que é senhor da morte. Cecília Meireles in Mar Absoluto