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Nunca houve palavras

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Nunca houve palavras para gritar a tua ausência Apenas o coração Pulsando a solidão antes de ti Quando o teu rosto dóia no meu rosto E eu descobri as minhas mãos sem as tuas E os teus olhos não eram mais que um lugar escondido onde a primavera refaz o seu vestido de corolas. E não havia um nome para a tua ausência. Mas tu vieste. Do coração da noite? Dos braços da manhã? Dos bosques do Outono? Tu vieste. E acordas todas as horas. Preenches todos os minutos. acendes todas as fogueiras escreves todas as palavras. Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos quando toco o teu corpo e habito em ti e a noite não existe porque as nossas bocas acendem na madrugada uma aurora de beijos. Oh, meu amor, doem-me os braços de te abraçar, trago as mãos acesas, a boca desfeita e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos e se perde depois numa estrada deserta por onde caminhas nua. Como se estivesses triste Joaquim Pessoa

Bastava-nos amar. E não bastava.

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Bastava-nos amar. E não bastava o mar. E o corpo? O corpo que se enleia? O vento como um barco: a navegar. Pelo mar. Por um rio ou uma veia. Bastava-nos ficar. E não bastava o mar a querer doer em cada ideia. Já não bastava olhar. Urgente: amar. E ficar. E fazermos uma teia. Respirar. Respirar. Até que o mar pudesse ser amor em maré cheia. E bastava. Bastava respirar a tua pele molhada de sereia. Bastava, sim, encher o peito de ar. Fazer amor contigo sobre a areia. Joaquim Pessoa in Português Suave