Pousa num ramo um sopro de agonia dos que morrem (sem saber) em nosso coração. Suspira a noite no vento vadio. Amados mortos: tentais dizer o quanto amais ainda?
Eis-me afinal de novo entre os meus bons convivas, Só com meus sonhos,só,com a minha saudade, E as mortas ilusões e ilusões redivivas De que o morto passado a alma toda me invade. Porque se me hão de impor,fortes e decisivas, As descrenças dos que,sem fé,sem caridade, Sem esperança,vêm dessas alternativas De mal fingido amor e fingida piedade? Sinto-me preso aqui.Entre angústias me envolvo, -Esfinge que se envolve entre os arcais da Líbia - Mas o fatal problema entre audácias resolvo Alma!que importa a dor que te devora?Exibe-a Ante a morte que em seus tentáculos de polvo Mói crânio contra crânio e tíbia contra tíbia! Emilio de Meneses
Quisera eu pôr nestes quatorze versos Um leve, fino, alegre comentário A algum novo e notável caso diário, Entre os casos urbanos mais diversos. Percorro dos jornais o noticiário, Leio artigos e tópicos dispersos, A pedidos satânicos, perversos, Desastres, crimes, contos-do-vigário. Nada encontro que inspire à alegre musa Uma nota satírica e atrevida Que nos nervos um frêmito produza. É sempre a mesma coisa repetida: Luza o sol, venha a noite, o sol reluza, Como o banal, se reproduz a vida! Emilio de Meneses
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