quarta-feira, 30 de março de 2011

NAU ERRANTE




Ilusão – nau singrando em ânsia, em sobressalto,
O Atlântico da Vida, em constantes boléus...
Ondas batem-lhe à popa e ondas tecem, no assalto,
Níveas teias de espuma, alvas tramas de véus...

Hinos de luz à Fé vagam no ar de cobalto,
Os faróis da Esperança olham nos mastaréus,
E os mastros subindo alto, ainda mais alto, alto,
Como para acender as estrelas nos céus...

Vento Sul da Incerteza... Ondas bravas... A Escuna
Oscilando... oscilando... E a vela que se enfuna,
Branco lenço, no espaço, aos longes a acenar...

Ilusão – nau que frui a volúpia das vagas,
Que destino, Ilusão, te irá quebrar nas fragas
Ocultas na amplidão desse trevoso mar?...


Da Costa e Silva

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