A MAGNÓLIA
Sem paixão plantei-a no meio do jardim. Pesado tributo à insolvência dos dias. Bandeiras de cor verde-ferrugem transeunte natureza de amor desvelam caravela de pássaros e o vento nas ramas alegre o riso na onda: o arco-íris. (Comprei vestidos sem cor e – pelo verão – esperei as vergônteas da morte. A água que bebi era de cinza.) Nuvens se espedaçam inflam botões alvos sorrisos na relva e o chá vertido nas flores bebemos da lembrança. (Se nasceram luas apenas e pétalas decepadas acaso fui eu acaso fui eu?) Dora Ferreira da Silva Poesia Reunida (1999)