segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cadenciadas...


LIII

Cadenciadas
Vão morrendo as palavras
Na minha boca.
Um sudário de asas
Há de ser agasalho
E pátria para o corpo.
Anônimo, calado
O poeta contempla
Espelho e mágoa

Fragmentos de um veio
Berçário de palavras.
Umas lendas volteiam
O poeta vazio de seus meios:
Escombros, escadas
Amou de amor escuro
A fugiu de si mesmo
De sua própria cilada.

O poeta. Mudo.
Aceitável agora para o mundo
No seu sudário de asas.

Hilda Hilst
Cantares de perda e predileção (1983)

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